Chiado.

Antiga Barbearia do Bairro, 2017.




Perfume Chiado

No meu anterior artigo sobre "O Chiado no Chiado" expliquei o conceito gerador deste perfume: um revivalismo do Chiado que vai desde as intensas discussões do grémio literário em pleno Romantismo da segunda metade do século XIX até aos devaneios de Pessoa e Bocage no Modernismo do século XX. Uma das grandes inspirações deste perfume é também a calçada portuguesa e, em particular, o padrão de rosetas no chão do Chiado. Vemo-las sobretudo na embalagem, elemento forte deste perfume, que contrastam com o tom cobre do logótipo da marca "Antiga Barbearia do Bairro", numa dinâmica que nos remete, desde logo, para os grandes avanços da arquitectura do ferro, precisamente na segunda metade do século XIX, com o Palácio de Cristal de Londres, de Paxton, e a já lendária Torre Eiffel que, no Chiado, encontram o claro paralelismo com o Elevador de Santa Justa.

Perfume Chiado

A fragrância é um confortável Madeira Especiado que, tal como qualquer obra de arte, se relaciona com o tempo, transformando-se, ganhando novas questões e novos significados. A narrativa do Chiado é muito interessante: começa com uma frescura um pouco diferente graças ao emprego do Manjericão em conjunto com o Gálbano; posteriormente avançamos para uma zona mais densa, com a chegada de acordes como o Tabaco, o Cedro e o Sândalo que culminam, praticamente, com a chegada do Patchoulli, esse ingrediente cheio de charme, o Vetiver e o Almíscar. É, sem dúvida, uma história de revivalismo "modernista" que se vai tornando tão rica como densa.

José Vicente Cândido. 17 de Outubro de 2017.